Manifestação no Panthéon

agosto 27, 2013

Publicado hoje, n'O Globo.



Aconteceu ontem, aqui em Paris, uma manifestação feminista em frente ao Panthéon. O belíssimo prédio de arquitetura neoclássica foi originalmente construído para ser uma igreja mas, ao longo dos anos, foi transformado em um ilustre mausoléu. A sua elegante fachada sustenta, com orgulho, a frase “Aux grands hommes, la patrie reconnaissante” (“Aos grandes homens, a pátria agradece”, em tradução livre) e, como se pode imaginar, ser enterrado debaixo deste teto é uma enorme honra.

E é aí que está o problema. Até hoje, apenas duas mulheres descansam em paz ali entre outros 70 homens. A primeira, esposa do químico Marcellin Berthelot só está lá porque seu marido fez questão de ser enterrado ao seu lado. A segunda, Marie Curie, é a única que foi parar no Panthéon pelos próprios méritos e, mesmo assim, seus restos mortais só foram transferidos para lá em 1995, mais de 60 anos após a sua morte (e reparem que trata-se de alguém que ganhou dois prêmios Nobel!).

Por este motivo, o coletivo Femmes au Panthéon acusa as autoridades de machismo e deseja corrigir a injustiça sofrida pelas grandes mulheres que ajudaram a construir a França e que nunca foram consideradas a estrelar no famoso mausoléu. O grupo já fez petições e pesquisas online (e até uma lista de mulheres "panteonizáveis") para envolver o público geral e pressionar os responsáveis a conceder a honra a outras diversas heroínas e artistas que lutaram para transformar este país em um lugar mais justo e melhor. Eu apoio!

Créditos da foto: www.facebook.com/FemmesAuPantheon

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